Ilustríssimos membros da mesa
diretora, já elencados pelo protocolo, demais personalidades civis e
militares, representantes de academias e ou entidades culturais do estado.
Senhoras e Senhores convidados que abrilhantam esta assembléia de
instalação da Academia de Letras dos
Oficiais Militares Estaduais da Reserva do Ceará – ALOMERCE.
Não somente por um dever de
fazer, mas sobretudo pela livre escolha de nossos generosos confrades, os
novéis acadêmicos fundadores da ALOMERCE, já devidamente empossados em
seus cargos da primeira diretoria da entidade, estamos reunidos nesta
magna solenidade para discorrermos sobre a fundação da mais jovem Arcádia
na terra de Iracema.
A oportunidade de conhecermos sua
origem por um feliz capricho do destino, recaiu justo neste venerando
templo ecumênico da cultura - a sede da Academia Cearense de Letras, que
no dia 16 recém passado, celebrou com muito estilo e nobreza seus 110
(cento e dez anos) de profícua existência entre nós, e desde logo tributo
nossos sinceros e afetuosos agradecimentos, em particular ao seu brioso
presidente, poeta maior e escritor Artur Eduardo Benevides, e a
todo corpo de talentosos acadêmicos aqui presentes. Nossa história
principia na idéia, obviamente precursora de tudo, é deveras infante, mais
como ontem hoje já é passado, temos alguns fatos que merecem destaque.
Longe de requeremos lauréis nem encômios ousamos asseverar que em
aproximados três anos antes, nós idealizamos sua criação com a guarida de
companheiros de farda, num momento de inspiração e com apoio do então
presidente da Associação dos Oficiais da Reserva – AORECE, Cel. PM RR José
Israel Cintra Austregésilo, hoje residindo na mansão dos justos,
uma instituição cultural ao nível de academia no sentido de alçarmos mais
visibilidade, numa tentativa de esmaecer ou mesmo apagar de vez resquícios
ainda existentes, do ranço entre a comunidade intelectual e nossa
corporação; uma confraria acadêmica, com iguais objetivos: A produção
literária, o intercambio pactuado, a defesa intransigente de quaisquer
movimentos artísticos e culturais no vasto campo das artes, na direção de
ornamentar e incentivar as formas criativas do espírito em comunhão com o
crescimento e desenvolvimento das letras em nosso território alencarino.
O lócus de sua criação como
podemos inferir foi mesmo a AORECE, já que legitima associação que agrega
os oficias reservistas oriundos das forças estaduais que batizamos de
reserva ativa. Neste sonho batemos reiteradas vezes com veemência e alfim
ecoaram os ventos da liberdade; nós o sentíamos mesmo sem o vermos, até
que nosso objetivo literário foi chancelado em histórica reunião do dia
dois de abril pretérito, que por decisão unânime escrituraram nossa missão
tão almejada. Ante aos auspiciosos fatos, ato continuo, foi designado o
Cel. PM RR Francisco José de Lima secretário para comigo, na presidência
dos trabalhos realizar os procedimentos da vitoriosa viagem objetivando
tornar publica e real nossa Arcádia; garimpar nossos fundadores, vindo de
logo se congregar a nós o Cel. PM R/R Gutemberg Liberato de Andrade, Cel.
BM R/R Tómas Edson Paula Viana e o Ten. Cel. PM R/R Antônio Paiva
Rodrigues, aos quais louvo suas ativas participações na comissão. Partimos
para a luta e a meta era elaborar, fundar, instalar e esperamos consolidar
em nossa gestão a ALOMERCE, aglutinando-a entre as suas congêneres,
honrando nosso estado que sempre foi vanguarda neste mister, do fazer
literário e das artes no sentido holístico.
O Ceará é pródico nesta
empreitada tem fartura de poetas, escritores, ensaístas, esmerados
tribunos, cérebros privilegiados e muita criatividade espiritual, não é
sem mérito que somos também identificados com a divisa de terra da luz,
face ao iluminismo libertário e artístico de seu povo. Um verdadeiro
desiderato.
Seleta platéia que engalana este
recinto espargindo sabença policromica, somos uma academia categorial
posto que composta de militares estaduais, mas nosso colegiado é movido
pelas mesmas aspirações e objetivos de suas assemelhadas, temos um plano
de metas coincidentes porque somos igualmente trabalhadores do fazer
literário em qualquer dos gêneros, estamos cônscios da responsabilidade
que recai sobre nós neste instante. Nosso olhar interior se volta nesse
momento para pugnar, superar, desafiar e engrandecer as letras cearenses,
colaborando para seu acendimento progressivo no máximo que nossas mentes e
inteligências puderem acrescentar. Uma de nossas metas mais importantes,
entendemos, já explicitado nesta oração, é interagir com os intelectuais
coestadanos, fazendo rica a cadeia que doravante nos uni
indissoluvelmente, cujo elo jamais será quebrado. Nosso caminho, iluminado
por toda esta plêiade de valorosas academias, entendemos, facilitará em
muito, nossa destinação primacial, pois sabemos que uma entidade cultural
sobrevive na proporção direta de sua produção literária, porque só através
de nossas obras temos a convicção de que não morreremos totalmente. Em se
tratando de imortalidade o grande Aristóteles já preconizava "Devemos ser
imortais tanto quanto ser possível", convictos estamos de que é preciso
sonhar e que nossos sonhos estão a nossa frente, daí sonhar mesmo que
acordado é questão de sobrevivência para os cultores das belas artes.
Nascemos sem pedir por conta do instinto humano da criação, morremos sem
querer por conta da finitude da vida, somente nossas obras são perpetuas e
elas dormitam no permeio pontual da vida e da morte.
A literatura cearense em
especial, mesmo que só pelo regionalismo em nada tem a dever em qualidade
ao país, somos a primeira academia de letras nos moldes hodiernos do
Brasil, a Academia Cearense de Letras e também a partir de hoje a primeira
Academia de Letras no âmbito dos militares estaduais em território pátrio.
Quanta intrepidez e pioneirismo! E deixamos uma reflexão ao distinto
público, como seria recebido pela comunidade acadêmica e a elite
intelectual, um organismo cultural formado no seio de milicianos em épocas
passadas? Registre-se, sem desmerecer nosso antepassados, valorosos e
honrados camaradas na sua grande maioria, profissionais íntegros que
cumpriram seu papel castrense e social, quase que exclusivamente na
caserna e no delimitado entorno familiar, salvo exceções que não vem ao
caso nominarmos. Nosso intento em criarmos uma academia de letras, em
nossa ótica é preponderante para instituição que luta para ser valorizada
e entendida pela sociedade em geral, aperfeiçoando e capacitando seu
pessoal continuamente, para oferecer seus serviços de guardião da
cidadania, incluso ai a segurança pública, embora de difícil controle. O
tempo tem seus mistérios sequer respeita os futurólogos, estudiosos da
predição e das tendências e transformações, como que antecipando fatos do
futuro, nem mesmo os sociólogos. Ninguém imaginaria que após 169 (cento e
sessenta e nove anos) de instituída, nossa organização militar criasse uma
academia semelhante as demais em plagas cearenses. Com a resposta o
próprio tempo. Nossa fundação deu-se no dia 25 (vinte e cinco) de julho
próximo passado em homenagem ao dia do escritor, e instalada nesta ocasião
25 (vinte e cinco) de agosto, data dedicada ao soldado brasileiro. Um
esclarecimento merece ser enfatizado e devido aos dignos assistentes,
quando nos referimos a soldado podemos ter a sensação rústica que a
palavra encarna, porém não é exatamente essa a significação, soldado a
quem nos referimos representa cada um de nós, bons brasileiros, a
sociedade organizada, as diferentes classes sociais e a todos cidadãos em
particular, que temos em alta a nacionalidade e cearensidade, que lutamos
por um país mais evoluído, que combatemos o bom combate, que somos
responsáveis, disciplinados, educados e obedientes às leis da nação, além
do que em nosso caso em especial, trabalhadores dedicados a excelência das
letras e das artes, com denodo e proficiência. Isto é quanto custa ser
soldado no sentido amplo do termo. Recebamos o titulo de soldados das
letras... Termo inusitado e valorizador.
Nossa academia desde agora se
agrega com orgulho aos intelectuais de nosso estado, nosso prurido
literário se exacerba neste instante, queremos evoluir intelectualmente
com uma paixão decorrente da emoção, da inspiração criativa e do
conhecimento, porque se não for agora e se não o fizermos de pronto,
quando será?
O cearense quando incorpora
objetivos, em qualquer atividade o faz com fé e destemor, ousa e realiza,
é do ex-governador e ex-senador Virgilio Távora, de saudosa memória, essa
assertiva "Fortaleza quer ser a capital do mundo", não chegamos a tanto
todavia concordamos no bom e manso sentido da metáfora, que tem méritos
haja vista que o povo cearense historicamente é diferenciado, e corre numa
esteira própria sobressaindo-se em peculiaridades físicas, intelectuais e
empreendedoras.
Feito essa narração, muito mais
caberia acrescentar, no entanto vamos a peroração de minha fala, por não
termos recebidos de todos os presentes o alvará para falarmos
indeterminadamente e por sabermos também que uma peça oratória tem seu
devido tempo calcado na significância do assunto, na aura da percepção e
na tolerância dos dignos ouvintes. Por isso pela liturgia do discurso
temos que encerar, contudo afirmamos que a criação da ALOMERCE, terá
reflexos abissais no âmbito local e fora dele, pela singularidade de
sermos uma instituição categorial. Por certo encontraremos acolhimento
entre as outras instituições culturais, encontraremos nosso ponto de
equilíbrio e o respeito da comunidade intelectual. Já dizia Joseph de
Maistre "Nada do que é grande começou grande"; e nós agregaríamos o
que representa nosso dístico acadêmico: "REM TENE, VERBA SEQUENTUR"
da lavra do filósofo Catão, com a significância, entre
tantas, trata de possuir conteúdo, as palavras se seguirão. E para
pontificar esta sentença latina, concluirmos com outra, que se
incorpora em nossa concepção ideológica: FINIS ORIGINE PENDET, com
a tradução sábia de "O FIM DEPENDE DO COMEÇO". E nós no império de
nossos sentidos, invocando a proteção divina, temos a certeza que começa
muito bem, nosso sacerdócio.
Obrigado.
Fortaleza, 25 de agosto de 2004.
Cel. PM R/R
Luciano Arruda, Presidente da ALOMERCE